segunda-feira, 9 de outubro de 2017

De Descrever o Olhar

O vento ondula o azul.
No topo de onde meu olhar alcança, a cor tremula em uma dança suave, de movimentos por vezes calmos outras erráticos. O ar ao redor canta. Sua voz se espreme entre as frestas que encontra e faz dueto com um outro som, mais grave, ritmado, constante.
O segundo som vem mais de perto, parece que sussurra só pra mim, no meu ouvido, um murmurar rouco de profundezas distantes. Baixo o olhar.
Mais perto, vejo mais que o azul. São dunas de cor de baunilha, quase capazes de refletir o sol filtrado pelo azul. Suas curvas são suaves e a textura delicada, como dobras de um tecido esculpidas em mármore. Tenho vontade de correr os dedos pelas curvas, mas me refreio quando o murmúrio aumenta de intensidade.
Devo ficar imóvel. Faço de tudo para não perturbar a paisagem.
As dunas se movem elegantemente, alheias à minha presença. Mal sabem que as observo. O som se esvai.
Sinto um novo tremor, dessa vez um rugido que parece vir de dentro de mim. E vem. Suspiro.
É preciso deixar esse lugar. Resigno-me.

A manhã termina e a fome me faz levantar da cama, um último olhar para o marido que ainda dorme, fecho as cortinas improvisadas com o lençol azul para que o sol não o perturbe. Uma nova paisagem se desdobra: levanto para fazer o café.

sábado, 28 de novembro de 2015

De um infante assustado com o Mestrado



"De tempos em tempos, o indivíduo fica bloqueado numa situação em que uma espécie de hiato cognitivo impede o movimento: o sentido interior do indivíduo esgotou-se e agora ele precisa de criar novo sentido. Então, essa pessoa procura e escolhe estratégias que façam a ponto sobre o hiato cognitivo, que procurem respostas a perguntas. Finalmente, os indivíduos usam as pontes cognitivas que construíram para continuarem suas jornadas " 
Dervin, 1992 apud Choo, Gestão da Informação para a Organização Inteligente, 2003


         Encontrei essa frase num texto que estaa lendo para o mestrado, e não pude evitar suspender o estudo por um momento e vir aqui explicar como eu passei as últimas semanas me sentindo exatamente esse indivíduo em hiato cognitivo.

         O segundo semestre do mestrado veio cheio de uma liberdade diferente (apenas um dia de aulas na semana) e também uma responsabilidade que assusta (a famosa "Autonomia do Estudande de Pós-Graduação"). De início, pareceu maravilhoso poder escolher onde passar meus dias, visitar parentes e binge watch todas as minhas séries pendentes. Mas, conforme o tempo foi passando, comecei a perceber que as únicas atividades realmente relevantes que eu estava fazendo no mestrado eram os resumos e fichamentos pedidos pelos professores - muitas vezes, na véspera da aula.
         Crianças, não façam isso em casa!


         Quanto mais tempo em passava me "divertindo" com outras coisas, ou procrastinando descaradamente, mais eu me sentia preocupada com a pesquisa acumulada sempre dando alertas e surgindo em pensamentos aleatórios. Mas eu não tinha a menor vontade de começar a escrever.
         Foi aí que eu li um artigo sobre a grande ocorrencia de Mental breakdowns em estudantes de mestrado e doutourado, e uma tal de Sindorme da Farsa, em que a o estudante tem a sensação de não estar se dedicando tanto ou ser tão inteligente quanto seus pares. E era um pouco parecido com o que eu estava sentindo.
        No dia seguinte, acabei conversando com uns colegas doutourandos e eles me disseram que também sentiram o mesmo no mestrado, e mesmo no doutourado. Que o mestrado é um baque de mudança de visões e percepções e de estudo, e que isso desconforta, desconstrói, assusta mesmo, é normal. Gostaria que tivessem me contado antes.
        A experiência do estrado tem sido um pouco estranha pra mi, no sentido de ter que entender como a minha mente - e corpo- se adaptam ao estudo, a uma casa nova, com gente nova (divido apartamento com mais 3 garotas) e um estado novo  velho.
         Nessa conversa, acabei encontrando uma metáfora que define como eu estava me sentindo.

       Senta, que lá vem metáfora!



          Recentemente, nasceu minha afilhada. Ela tem 2 meses e nas primeiras semanas, ela acordava assustada com certa frequencia. Com o tempo, percebemos que ela tinha o costume de esticar os braços e pernas durante o sono e, por ser muito pequenina para o berço, acabava não encontrando barreira nenhuma (como na barriga), e a total liberdade espacial a assustava.
        O mestrado me fez sentir como essa bebê. As fronteiras do pensamento dos meus professores como guia - e ate mesmo- doutrinador dos meus pensamentos se foi. Meu estudo não tem mais hora certa de aulas ou intervalos de classe, os prazos são mais soltos e cabe a mim elaborá-los na maior parte do tempo. E essa liberdade repentina me assusta, me tira o chão, me faz acordar assustada, sentindo falta do conforto do útero da universidade.

      Mas acho que agora, como sei como me sinto, posso começar a construir as pontes que vão me levar a preencher esse hiato cognitivo e me permitir voltar à minha pesquisa com tranquilidade. Meus bracinhos pequenos estão se acostumando com meu berço grande.


domingo, 25 de maio de 2014

De voltar a escrever

Faz tanto tempo que eu não poeto
que as palavras Ferrugem rubras
me olham de lado
Barbas longas, braços cruzados, olhares sentidos
E vem de pirraça, arrastadas, pesadas
a dar-me a mão mole
má vontade explícita
A desempoar as roupas
e prostrarem-se insatisfeitas
na pintura-retrato-poema
que eu largo da ponta do lápis
no alvo do papel.
Voltei.

Monnique São Paio
2011

Dos olhos abertos de um menino



Ele abriu os olhos. Respirou fundo.
O lugar era desconhecido, mas a sensação era familiar.
Sabia onde estava,com quem estava, o que deveria fazer e como fazê-lo.
Eles queriam caminhar na trilha.
Entre eles e a relização de seu desejo, uma grade. A grade de metal, embora alta e com uma cerca elétrica no topo, não era tão ameaçadora assim, então eles escalaram e pularam sobre ela.
Sem nem ao menos notar o quão fácil havia sido ultrapassar o obstáculo, ele percebeu que as coisas não continuariam tão simples quando viu que havia deixado a mochila do outro lado.
Suspirando e aceitando a situação, não havia nada a fazer além de escalar de volta e recuperar o objeto. É claro que desta vez, a cada tentativa, ele foi surpreendido pelo contato da cerca elétrica. E, mesmo que os choques não fossem o suficiente para impedi-lo de tentar mais uma vez, e outra, e outra, eventualmente foi preciso jogar a toalha.
Foi aí que ele fechou os olhos.


Ele abriu os olhos. Respirou fundo.
A clareira era bonita, a trilha tinha valido a pena.
Esperar pelos outros, no entanto, era um pouco menos divertido, então ele resolveu voltar e ver o que os estava atrasando.


Retornando pelo caminho, ele ouviu as vozes antes de ver o movimento, e viu o movimento cessar antes de poder definir as silhuetas.
E então, com o afastar de um galho mais baixo, ele viu a cena por inteiro.
Os olhares chocados, a cena estática. Tudo tão previsível.
Se aproximou e olhou para baixo, seu corpo inerte no chão.
Respirou fundo.
E fechou os olhos.

Ele ainda estava na clareira, e mesmo após imaginar o pior cenário possível para o atraso dos amigos, a visão da realidade conseguiu ser ainda pior.

Retornando pelo caminho, ele viu primeiro a fumaça, depois os troncos incandescentes.
Eram troncos enormes de árvores em chamas, quase como se ainda estivessem plantados.
Gritando para as pessoas ao redor para tentar descobrir o motivo, recebeu a resposta de que
os garis tinham pedido que se fizesse uma fogueira para queimar o lixo. A fúria foi crescendo
como as chamas à sua frente, até tingirem de vermelho seu rosto e seus olhos.
Ele só percebeu que estava correndo quando diminuiu a velocidade para pegar a primeira coisa que encontrou pela frente: uma pá. De pá na mão, e sem camisa (que ele também não reparou quando tirou), pôs-se a correr ainda mais desesperamente na direção dos responsáveis.
Quanto maior a velocidade, maior a distância , maior a angústia pesando em seu peito.
O sentimento era de urgência. Ele tinha que chegar lá.
Junto com o som do vento em seus ouvidos, veio um outro som, gutural, quase monstruoso. Um grito de dor. Ele ainda estava correndo quando percebeu que o grito saía de sua própria boca. Só então fechou os olhos.

Ele abriu os olhos. Respirou fundo. 
E reconheceu onde estava. Sua cama, seu quarto.

terça-feira, 6 de maio de 2014

De uma viagem diferente...

Normalmente, eu sou a louca da viagem.

Aquela que acha que dormir é para os fracos, que todas as vistas devem ser vistas - e devidamente registradas, seja em fotografias, filmagens ou mesmo na memória; que todos os passeios devem ser feitos, e todos os lugares visitados - especialmente as igrejas e os museus e os parques; que toda comida deve ser experimentada, ao menos uma vez.
Eu penso que cada viagem é única e que pode ser a última, e que eu posso nunca mais ter a chance de visitar aquele lugar de novo, e ai de você se ficar no meu caminho, se preferir deitar ao sol ao invés de caminhar ponta a ponta da praia atrás daquela gruta espetacular.
Eu estou aprendendo a apreciar os momentos inertes, mas ainda não. Eu ainda preciso estar em movimento, preciso usar minhas pernas fortes, minha mente sã, meu vigor. Quando eu estiver velha, daí eu sento, descanso, resolvo acordar bem tarde no meio de uma viagem.
Isso me deu momentos incríveis. Eu andei de barco sozinha até a estátua da Liberdade,mesmo sem poder subir por ela; percorri Paris em seus pontos turíticos - sem tempo para entrar em nenhum deles; comi queijos e mais queijos e carne de coelho; visitei 4, 5 lugares num mesmo dia, com tenis amortecedores pra aguentar o passo apressado, fiz coisas que nunca imaginei q faria, como nadar com tubarões e andar em cada um dos brinquedos do Walt Disney World - mesmo os mais chatinhos pra crianças pequenas.
Nessas idas e vindas, eu me diverti. Muito. Não me entenda mal. Mas às vezes tenho a sensação que a corrida por fotos e por ver tudo que meu olhos possam alcançar tenha me tirado a chance de observar os detalhes. Eu vi o jardim, mas perdi o ruflar de asas da borboleta.
Essa ultima viagem foi diferente. O objetivo da viagem era ir a duas reuniões, e eu me planejei pra ficar na cidade por dois dias a mais que o necessario - um antes e um depois. Fiquei hospedada na casa de uma amiga, que mora com os pais e uma irmã gêmea. Ambas as irmãs são extremamente atenciosas e preocupadas com a segurança.
Por varios fatores, por conta da chuva, dos compromissos e da propria segurança, passamos a maior parte do tempo em casa. Mesmo q eu me sentisse, num primeiro momento, desperdiçando meu tempo, que poderia ser gasto em desvendar a cidade, acabei respirando mais fundo e olhando outras coisas.
Eu vi os detalhes da casa, e como ela tem cheiro de lar, com suas fotos e suas porcelanas. Eu vi a rotina de uma familia que poe e tira a mesa simultaneamente de forma tão natural que seus movimentos parecem ensaiados, quase passos de dança. Vi duas irmãs que fazem favores a todo momento uma pra outra, mesmo que acabem discutindo quando é pra jogar cartas.
Ao invés de fotografar a vista, eu fotografei o gatinho de olhos verdes e arco-iris que despontou por trás da mangueira do vizinho. Ao invés de observar as trilhas dos parques, eu observei as curvas do corpo do gato ao espreguiçar dos bigodes até a ponta do rabo.
Eu vi como bocas se mexem, como dedos se fecham, como a chuva cai, como o sol desponta primeiro pelo refleto dos poucos predios altos que estão sendo construídos no bairro.
E assim, entre pessoas e lugares e bichinhos, eu fiz uma viagem que não teve visita guiada nem vistas panoramicas, mas nem por isso deixou de ter um vislumbre sobre a vida de outros nem uma vista que valha a pena ser vista.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

De uma garotinha

Once upon a time That was a girl.
A girl with the world inside of her, and a desire for the stars.
When she discovered songs, she wanted to listen to them all, when she discover words, she wanted to know them all, when she discovered stories, she wanted to read them all.
The girl would cherish every book she touched, but always keep an eye on the next one, the hunger for the lifes of  imaginary people never ending
She wished to be them, to be their friend, to change their stories, to have what they had.
It`s funny how she read her books.
She`d always take a sneak peak on the last page, just for the feeling to read words that made no sense at the moment, but in a while, would.
It was magical!
The same words, meaning nothing in a moment, and the moment changed, she read the story, and those same words now made all the sense in the world.
The girl grew up.
She still liked her book and her stories.
She still wanted to know the meaning of every word.
But she stil didn`t.
And she still wish to have what the stories had.
They had the certainty. Every single bad guy would be defeated, every problem would be fixed, she could count how many pages to the happy ending.
She wanted her life to be like that. A sneak peack and you can tell the end of it, even if it doesn`t make sense, she wished to count the days left to her happy ending, she wanted somebody to tell her every problem would be fixed.
But nobody will.
And she can`t have any of that.
Because if her life is a book, she is not the one reading it.

Monnique São Paio (26/04/2014)

terça-feira, 4 de março de 2014

De Crafts e Reciclagem

Então, faz algum tempo que eu estou querendo terminar esse projeto, mas hoje deu certo.

Eu aprendi na faculdade a fazer cadernos costurados à mão. É um projeto relativamente barato, mas meu pai chamou a minha atenção para o fato de que poderia ser completamente feito com material reutilizado.

Eles, inicialmente, tinham a mesma aparencia dos cadernos normais (utilizei a sacola de compras de uma loja de maquiagem para fazer o de corações)


Mas eu ainda estava usando o papel suporte e as folhas compradas em papelaria.

Então eu troquei o principal, o papel que sustenta a capa, por caixas de leite e suco, utilizei folhas de rascunho (que já tinham sido impressas, mas apenas de um lado) e uma fita que tinha sobrado em casa.



Bom, é isso. Crafty all the way.

DFTBA!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

De uma tirinha que não é minha

Na vibe de limpar o armário, a vida e, principalemente, o HD, acabei achando umas coisas que não vale a pena guardar, mas que não quero me desfazer por completo.

Essa tirinha é uma delas.
Então aqui vai, minha maneira de compartilhar com vcs uma tirinha que é bem a minha cara, e poder deletar do HD sem remorsos.

Gostaria muito de saber quem é o autor/a mas não sei.
Todos os créditos a el@, no entanto.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Cooking Challenge #3 - Minha Especialidade

Cooking Challenge #3 - Especial da casa


Bom, para essa receita eu não tive dúvidas. Desde que fiz reeducação alimentar aos 10 ano, esse foi um dos primeiros pratos que aprendi a fazer, e é um dos meus favoritos até hoje.

Quando tem que ser feito aqui em casa ninguém nem exita em pressupor qu quem vai fazer sou eu.

Daí hoje eu não tive nem como escapar. Mamãe chegou em casa com latas de creme de leite e olhando para a carne que tínhamos cozinhado para o almoço. Não teve jeito. Tive que fazer meu Strogonoff.

Tudo bem que a receita completa é de Strogonoff de almôndegas de Soja, acompanhado de arroz e batata frita em bolinhas, mas venhamos e convenhamos, ela chegou de noite com o creme de leite e não tinha nem batata palha nem vontade de fazer arroz e fritar batata, então acabei comendo com macarrão.

Mas vale a receita do Strogonoff

Strogonoff da Casa Esteves



- Carne cortada em cubinhos (dá pra pedir pra cortar no açougue mesmo, e pedindo carne de strogonoff eles sabem qual é)
- Molho de tomate
- Creme de leite
- Catchup


Não tem muito segredo:

- Normalmente eu cozinho a carne temperada e com o molho de tomate. Depois de pronta, acrescento o creme de leite e pitadas do Catchup (se for picante, melhor) e vou provando.

O ideal é deixar um tempo fora do fogo antes de servir, o creme fica mais consistente e eu acho mais gostoso.


Original com Almodegas de Soja

Para a receita original o mais importante é manter a soja hidratada, então eu normalmente deixo as almondegas de molho de um dia para o outro, ou pelo menos por umas 3 horas. Depois eu dou uma espremida (a Almondega incha como uma esponja) para que ela possa absorver melhor o creme.

Faço o creme normalmente, com o molho de tomate e o creme de leite, o catchup e tempero.

Depois, acrescento as almondegas e deixo absorver. Acho legal fazer o molho um pouco mais salgado e deixar uma parte do creme de leita para acrescentar depois que a almondega ja estiver bem cheia de novo. (vc fica com almondegas mais temperadas e o creme mais suave)

E Voilà. Mais uma tarefa cumprida deste desafio.




domingo, 9 de fevereiro de 2014

De uma Nuvem e Reflexões sobre a vida feitas por um beija-flor na mente de uma criança

         Perguntaram no Nerdfighters Brasil quem compunha e eu acabei comentando sobre essa canção que fiz em parceria com meu tio - e professor de violão - aos 10 anos.
Era costume dele escrever uns exercícios de dedilhado e leitura de partitura bem simples para os alunos mais novos, e depois deixar que eles escolhessem um desses exercícios para criar uma letra.
         Eu escolhi um tema e fiz minha música, A Nuvem e o Beija-flor, que eu deixo guardada no fundo da gaveta da mente, mas tenho um carinho especial. Menos quando mamãe me pede pra cantá-la pras pessoas em uma roda de conversa. hehehe
         Tem alguns errinhos de prosódia, mas uma menininha de 10 anos ficou muito orgulhosa de ter composto isso, então em homanagem a ela, aqui vai a letra:


A Nuvem e o Beija flor

Uma nuvem vivia só
Mas um dia, um belo dia,
Encontrou um amigo tão bom
E esse amigo jamais a deixou
Era um lindo beija-flor

Mas houve um dia de melancolia
Em que a nuvem teve que chover
O beija-flor tão triste ficou
Perdeu sua melhor amiga

Porém, o amigo beija-flor
Pôde perceber nas flores
A alegria daquela nuvenzinha
Que assim uma lembrança deixou.

Monnique São Paio (/2000)


sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

De tantas Palavras que eu tinha





E pensar que eu tinha tantas palavras
  que a folha em branco roubou
E eu tinha tantas palavras
  que o som do lápis calou
Eram tantas coisas a dizer
  que o lábio aberto emudeceu
Tantos sonhos de olhos abertos
  que o adormecer escondeu

E agora essas tantas palavras
- e as outras tantas palavras -
e as coisas a dizer
e o punhado de sonhos suspensos
  vagam insones e arredios
  no espaço involável
  entre os meus olhos sombrios
    e a clareza feroz do papel.

                       Monnique São Paio -2013

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Cooking Challenge #2 - Um é pouco, dois é bom, Três é demais!

Cooking Challenge #2 - 3 ingredientes

E como ainda estamos em Janeiro, vai aqui a segunda edição do Desafio Culinário deste mês.

Essa receita acabou surgindo de surpresa, porque eu tava a fim de comer algo diferente e acordei tarde demais pra preparar algo muito elaborado pro almoço.

Normalmente quando faço macarrão caio no lugar comum de molho vermelho, que é mais fácil de fazer, tanto bolonhesa quanto o favorito da minha irmã (estilo Pizza, pq não leva carne) que consiste em molho de tomate, manteiga e orégano.

Mas decidi comer algo diferente, e como fui cozinhar só pra mim, fui experimentando.
Essa prato caberia em várias categorias (Restos de ontem, Não julgue pela capa) mas acabei escolhendo o dos 3 ingredientes mesmo. Sem mais delongas, a gororoba:

Macarrão com Frango ao Molho Branco



Ingredientes:
Cream Cheese
Frango
Macarrão

- Refoguei alho (ok, tem 4 ingredientes, mas tempero nao conta, né?) e fiz um creme com cream cheese e um pouco de leite pra fazer uma textura mais de molho. Não coloquei sal porque o macarrão e o frango ja estavam temperados

- Cortei o frango em pedacinhos e misturei ao molho, que acabou ficando um pouco seco pois o frango absorveu, mas ainda assim gostoso.

- Acrescentei o macarrão e voilà!

Como ainda tinha sobrado melancia do dia anterior, fiz o mesmo Suco de Melancia com Casca da outra vez e Almoço Feito!

Não se enganem com a aparencia.. hehehe




segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Cooking Challenge #1 - Suco de Melancia com Casca

      Bom, como eu havia dito no post anterior, estou fazendo fora de ordem, então meu primeiro escolhido foi:

#3 Drink: um suco, uma vitamina, um milkshake, um drink alcoólico ou não. 




     Para realizar essa tarefa, fiz meu suco favorito dos últimos tempos. Tinha uma melancia sobrando em casa e fiquei com pena de jogar a casca fora. Então fui para a Interwebs procurar uma maneira de reaproveitar a casca da melancia.

    Acabei me deparando com uns doces que me pareceram açucarados demais, então a opção mais saudável foi o suco. É a coisa mais fácil do mundo de fazer, basta cortar a melancia em cubinhos, com a casca. Colocar água e açúcar a bater tudo no Liquidificador.
    Coar é muito importante também. Você não vai querer mastigar aqueles micropedacinhos de casca e semente. Believe me.

    E é isso. Dá pra acrescentar gelo se quiser, mas eu fiz com água bem gelada e ficou ótimo. E o melhor de tudo: auxilia na digestão, então é gostoso e saudável.

Observação IMPORTANTÍSSIMA: O sabor da casca não altera o gosto da melancia, mas é importante colocar a polpa da melancia junto com a casca. Fazer o suco com mais casca que polpa não funciona tão bem. Ouça a voz da experiência.

Então é isso, aqui vai meu Suco de Melancia com Casca. Primeiro Desafio: CUMPRIDO!




Ps: Só tem pouquinho na garrafa porque só lembrei de tirar foto depois do almoço, quando eu eu minha irmã já tínhamos tomado a maior parte.

Pps: A segunda foto é pra vocês verem como a casca não altera nem a cor do suco.



sábado, 4 de janeiro de 2014

Cooking Chalenge

       
           O Cooking Challenge é um desafio de culinária proposto pela linda da Samira a alguns amigos, e como eu não tenho costume de cozinhar e to meio precisando dar uma folga pros pais, pensei em aproveitar esse ano mais relaxado pra tentar unir o desafio a uma coisa interessante, e um motivo de não abandonar o blog pela quinquagésima vez.

        Aqui vai a lista completa do desafio, mas vou logo avisando que não farei na ordem (até porque comecei hoje e já comecei fora de ordem, então... pois é):

Cooking Challenge 2014

   1 prato a cada 15 dias. Assim tem tempo de escolher um prato, conseguir os ingredientes e prepará-lo.
Um ano, doze meses, 24 pratos.
Para os chefs que vivem perigosamente, complete o desafio em 24 dias.
A ideia é de que seja o desafio mais simples ao mais complicado.
Quando o prato estiver pronto, compartilhe a foto do resultado.

Regras:
Não repita pratos.
Não vale compartilhar foto do prato feito no passado, você tem que fazer o prato para o desafio.

Desafios:

#1 Minha Especialidade: aquele prato que você já fez várias vezes, que sempre pedem para você repetir.

#2 Miojo à Moda da Casa: como prepara seu miojo? Que ingredientes gosta de adicionar?

#3 Drink: um suco, uma vitamina, um milkshake, um drink alcoólico ounão. Escolha.

#4 Arroz: há várias formas de fazê-lo: com cebola, leite,presunto, queijo... Uma receita de arroz.

#5 Preciso Fazer a Feira: uma receita que não leve mais do que 3 ingredientes.

#6 Ingrediente obrigatório: ovos (de codorna, galinha, avestruz,dragão...)

#7 Salada: de frutas ou verduras (ou das duas). A escolha é sua.

#8 Frita que Eu Óleo: deep-fry alguma coisa. Qualquer coisa. 

#9 Ingrediente obrigatório: chocolate.

#10 Ingrediente obrigatório: batata.

#11 Betsubara: uma sobremesa

#12 Globalização: um prato ~característico~ de uma cozinha internacional (ex: italiana, chinesa, marroquina...)

#13 Prato Vegetariano: nem precisa explicar, né?

#14 Calderão: basta misturar todos os ingredientes numa panela e cozinhar até ficar pronto.

#15 Biscoito: hora de experimentar suas habilidades com um forno. Faça uma fornada de biscoitos ou cookies.

#16 Arco-Iris: uma comida da sua cor favorita (pode usar corante).

#17 Microondas: uma receita que não vai ao forno nem à geladeira,mas ao microondas.

#18 Não julgue pela capa: aparência nojenta/feia, mas gostosa.

#19 Molho de Tomate: hora de tentar a sorte, não vale procurar receita. Oque você acha que vai num molho de tomate? Faça um do zero.

#20 Sem Forno: uma receita que não vá ao forno.

#21 Ingrediente que costumava odiar: faça um prato que leve um ingrediente que você costumava odiar quando criança, ou só recentemente descobriu que não odeia mais.

#22 Ficção: um prato que foi mostrado, citado ou inspirado por uma obra de ficção: livro, filme, série, teatro, poesia ou música.

#23 Segredo de Família: escolha a especialidade de um membro da família (mãe, avô, tia, primo...) Tente reproduzi-lo. Não vale perguntar como se faz para o cozinheiro original, mas pode procurar receitas que pareçam estar certas. Ou simplesmente confie no seu paladar e experiência.

#24 Fast-Food: tentar reproduzir um lanche de fast-food em casa. Não vale: comprar carne de hamburger já pronta, batata-frita ou frango empanado congelados.

Outros que pensei mas não soube onde colocar:

Vice-versa: algo salgado que parece à primeira vista parece doce ou vice-versa.

Resto de Ontem: aproveitando os restos de uma refeição.

Fish Fingers and Custard: uma comida que as pessoas acham estranho que você coma.

Minha Primeira Vez: experimente fazer um prato novo.



É isso pessoal, comecem o bolao pra saber ate onde eu vou nesse desafio antes de desistir e abandonar... =) (who am I kidding? Ngm le esse blog... =P)

segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

De coisas do fundo da gaveta #4 - Pablo

Pablo
Há algum tempo venho criticando a atitude de minha irmã mais nova. Ela tem doze anos, mas ainda se fecha em alguns incompreensíveis comportamentos infantis, como pirraças e a estranha forma de tratar os meninos como extraterrestres. Uma vez que eu sempre tive mais amigos que amigas, essas atitudes me parecem muito esquisitas.
Outra coisa de que sempre reclamo é a falta de familiaridade da pequena com livros, o que eu, como leitora inveterada desde os 4 anos de idade, considero um insulto pessoal. Ela já está no segundo livro da semana, então esse assunto eu posso descartar por um tempo, mas a infantilidade ainda me irritava profundamente. Até ontem.
Temos 3 vizinhos novos no prédio e, embora estejamos nos reunindo para comemorar o Natal, ainda não conhecemos todos. Isso inclui nossos únicos vizinhos de andar que, até ontem, chamávamos de “os italianos” porque – adivinhem- eles falam italiano.
O único vislumbre de comunicação com eles acontecia quando minha irmã e meu pai se divertiam observando a carinha medrosa do gato deles na nossa janela, se escondendo assim que os via, mas voltando a olhar devagarzinho, curioso.
Bem, acontece que anteontem à noite, enquanto meu pai levantava para tentar fazer algo em relação aos mosquitos que parecem querer devorar os branquelos como ele, viu um vulto na sala. Chegando mais perto, percebeu que era o tal gatinho. Tentou atrair o bichano, mas esse fugia, com medo.
Míope convicto, meu pai resolveu buscar os óculos para tentar pegar o bichinho mas, quando voltou à sala, ouviu um barulho e o dito cujo não estava mais lá. Correndo até a janela, por pensar que o gato havia caído, meu pai até olhou para baixo (moramos no terceiro andar), mas não o viu. Presumiu, então, que o bichano havia voltado pra casa.
No dia seguinte, recebemos a visita desesperada da dona do gatinho (Pablo é seu nome - nome do gato, não da dona), perguntando se havíamos visto o bichano. Procuramos em vão aqui em casa e minha irmã, como toda criança que se preza, se ofereceu para ajudar a procurá-lo no térreo.
Com a oportuna informação de que o bichano só entendia italiano, saíram (minha irmã, a dona e o filho) a gritar Andiamo, Pablo, sem nenhuma resposta. Minha irmã chegou a propor a procura no pequeno compartimento embaixo das escadas do prédio, mas o porteiro afirmou que o gato não poderia passar pela porta.
Ao voltar, sem achar nem sinal do bichinho, minha irmã veio ralhar comigo por não ajudar a procurar, o que eu retruquei dizendo que havia ajudado a procurar aqui em casa, embora soubesse que ele não estava aqui.
A essa afirmação de incredulidade, a pequena disse: “ Mas assim você nunca ia achar, sabendo que ele não estava! Você tem que procurar querendo que ele esteja lá!!”
Ouch!
Depois dessa bronca muito bem dada pela pequena, resolvi pedir a Deus (querendo que ele atendesse) que o Pablo fosse encontrado.De qualquer maneira, pensei, ele já fez o que tinha que fazer, nos apresentou a nossos vizinhos...Agora Você pode deixá-lo voltar, ok?
Hoje de manhã, ao sair de casa, perguntei ao porteiro se haviam achado o gatinho. Ele disse que sim, o bichano havia se escondido no cômodo sugerido pela pequena. Eu sorri de lado e aprendi duas lições muito importantes.
Que pedir só funciona se você acreditar que vai ser atendido.

E que infantilidade não é tão ruim assim.

domingo, 29 de dezembro de 2013

De coisas do fundo da gaveta #3

É curioso como diversas pessoas têm lembranças diferentes de um mesmo fato.Como uma palavra que ficou guardada na memória de uma pessoa pareça tão insignificante para outra que, por sua vez, recorda nitidamente a cor da camisa daquele que proferiu a palavra.
A vida é um grande livro de poesia abstrata...Os poucos que se dão ao trabalho de tentar entendê-la têm tão distintas interpretações do seu sentido que não se sabe se qualquer um deles tem razão.

Pode ser que a vida seja feita para não ser entendida...


Em comic sans e com a fonte deste tamanho pois foi exatamente como encontrei nos meus arquivos. Nao sei o que estava pensando, mas enfim.

sábado, 28 de dezembro de 2013

De coisas do fundo da gaveta #2



         Às vezes é preciso escrever sobre algo que não sentimos... Escrever sobre um amor que não se tem, sobre uma infância extremamente diferente da sua, sobre uma vida que não se viveu. Mas de maneira nenhuma se escreve apenas sobre o que gostaríamos de ter e não temos... Escrevo sobre a estrada não tomada não só em minha vida, mas em vidas de pessoas que não conheci... Simplesmente porque viveram e, tendo vivido, abriram no espaço de minha mente um buraco negro com infinitas possibilidades de escolha, levando à felicidade, ao desespero, à morte, ou à mediocridade... Entre estas, a pior é a mediocridade.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

De coisas retiradas do fundo da gaveta #1

Entao... acabei achando umas coisas velhas e esquecidas nos meus arquivos na hora de fazer a faxina desse ano... e vou postar algumas delas aqui. 



#1 - De Clarice e (não) de mim

Estava lendo Clarice- e Clarice sempre me surpreende ao escrever as coisas com a simplicidade de quem as sente e nos fazer sentir que era algo tão simples e natural que nós mesmos deveríamos ter escrito, mas não o fizemos – e lembrei-me de uma piadinha de escola em que eu era chamada de Clarice.
Nunca soube se pela comum incapacidade de compreensão dos meus colegas tanto a Clarice quanto a mim (o que não é de modo algum insulto à inteligência deles, é antes afirmação de minha própria incompreensibilidade. Tampouco é pretensão minha comparar-me a Clarice, como logo explicarei), ou se pela influência que a autora tem, muitas vezes, nas minhas incursões literárias, ou se por alguma estranheza quanto ao mundo que às vezes me acomete e transborda dos meus dedos e olhos.
Foi, enfim, pensando nessa comparação e lendo uma coletânea fantástica de Clarices (que cada vez mais se multiplicam e ainda assim formam um todo inseparável e quase palpável pra mim, mas antes de tudo, etéreo) que resolvi defender-me do apelido ou, antes, defender Clarice.
Já disse várias vezes – e pensei outras tantas – que meus escritos são perceptivelmente influenciados pelos autores que li, em especial os que estou lendo no momento. Portanto, se esse texto sair meio clariceano, não tentem encontrar a chama de Clarice em mim, antes aceitem que a chama de Clarice é de Clarice, e eu sou o pires que meramente reflete a chama, sem ser vela.
Isso dito, não posso ser comparada a Clarice, porque me falta algo. Ou a ela falta algo. Ou ainda, nada falta a mim nem a ela, e exatamente por isso não somos comparáveis.
Clarice, ao que me parece (que é retirado de uma imagem do que me retratam suas palavras, e seus caminhos e seu sorriso torto e olhar vago e profundo que eu vislumbrei em uma gravação de entrevista) viveu em profundo contato consigo mesma, sem por isso tentar se explicar ou se compreender, mas, acima disso, ela tentava se exprimir. Eu tendo a buscar em mim razões de ser quem sou e me entender, e me analisar, o que pode ser bom ou não. E, no meu caso, são ambos.
Clarice tinha olhos abertos desde pequena, e ainda que visse o essencial e o amplo, ainda sim via o aparente e o restrito, e punha ambos em contato e os misturava e os distinguia, sem se perder, ou a eles. Meus olhos se abrem aos poucos, e me revelam coisas tão absurdamente óbvias, que quase me envergonho de ter vivido tanto sem as ter notado.
Clarice tinha ânsia de escrever, e conhecia a magia das palavras que saem de nós e nos são filhas e nos rejeitam: foram nossas apenas no breve período em que as gestamos, da ponta da mente à ponta do dedo. Depois disso são alheias a nós, e nos repelem, e nos são estranhas. Essa, aliás, talvez seja a única semelhança entre nós.
Clarice escrevia. E isso por si só é motivo final e absoluto. Eu penso e, covarde e preguiçosa e má, deixo as palavras se esgotarem em mim. São abortos voluntários que me doem, mas uma vez perdidos e longe do papel, não mais posso voltar atrás. Justo eu, que gosto tanto da vida, em especial daquela que não é só minha pra se manter.


 E tanto mais eu poderia falar, e tanto mais eu poderia pensar que me separam e nos diferenciam. Mas a mera tentativa de comparação com ela já me é tão pretensiosa e exagerada, que me limito aqui, já surpresa com a ousadia de ter escrito esse tanto.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Only if you read...

Hoje minha vontade era a de ficar o dia inteiro na cama. Nem quis ir ao frances, que eu amo. Na verdade, não queria ver pessoas hoje. Acho que preciso urgentemente de férias daquele tipo em que a gente fica com tédio de não fazer absolutamente nada.
Quem diria que a menina da agenda cheia ia querer dias tediosos.... mas eles eram os meus bem produtivos, naquele finzinho de ferias em que a gente anseia pelas aulas e fica inventando coisas estupidas pra fazer em casa... Foi assim que eu comecei a desenhar com cursos da internet, a fazer mosaicos, o belo ócio produtivo.

Mas, como eu fiquei o dia inteiro na cama, li inteirinho o livro que o Mau me emprestou na ultima gathering. (recurso textual de jogar pessoas e palavras que fazem sentido pra mim em um texto em que nao farão sentido para as pessoas em geral. Ou não. ninguém lê isso, anyways.)

Bom livro, na verdade, não tenho opinião formada sobre ele. Ou talvez tenha. Min é meio arrogante com suas citações pretensiosas de filmes que eu não vi, que fazem sentido pra ela mas me deixam sempre a margem de algo, achando que entendi as comparações mas sentindo que algo me escapa pelos dedos. E eu a entendo e tenho raiva dela, tão parecida comigo que me enoja. Ela e sua mania de contar toda boba sobre a história do seu nome e tudo mais.

E fiquei assim, com essa sensação estranha de muitas palavras dentro da boca, em um espaço pequeno, e não dá pra mastigar o suficiente pra engolir, nem tem como cuspir, como daquela vez em que eu estava no carro de uma vizinha subindo ladeiras e ladeiras e fiquei enjoada e comecei a vomitar, mas fechei a boca com força e as duas mãos pq nao queria vomitar ali dentro e comecei a sufocar e nao ia engolir aquilo de novo -eca- e o vômito começou a sair pelo meu nariz e eu tive que fazer gestos pra ela parar o carro. Não ria. Foi nojento e horrível e vergonhoso e ainda posso sentir aquele feeling, como diria a Min.

Por isso a gente acabou me deixou assim, com palavras na boca que nao quero que saiam nem quero engolir, e elas ficam querendo pular pelo meu nariz, mas ja estao tao destroçadas que mesmo que saiam nao vou saber reconhece-las.

Vou mudar de metáfora que esta ja está me enjoando. Não foi meio o que eu senti quando li Paper Towns... Paper Towns parece querer fazer com que você se identifique com o Q, e sua mania de enxergar a si mesmo quando olha pros outros e essa obsessão por momentos incriveis e aventuras que ele acha serem os desejos da Margo, mas que no fundo são seus próprios desejos, como a realização que ele sente em sair em sua aventura no dia da formatura. Como o Gus e seus sanduíches horríveis com ressonancias metafóricas.

E eu geralmente me identifico com esse cara que acerta e erra e de quem vc conhece os pensamentos mais intimos (por cara eu quero dizer meninos e meninas... pode ser a fingidora Isabel de A Marca de uma lagrima, pode ser o Harry ). Mas não em Paper Towns.

Ali eu me senti mais Margo, que todos imaginam ser alguem incrivel mas que nao consegue nem saber quem é, que não quer aquela atenção desatenta, que ve sempre a si mesmo e nunca a ela, mas que também não é capaz de se deixar perceber direito as coisas ao seu redor. Sou mais Margo que Min, bem mais, mas ainda estou com aquela sensação esquisita de não ser nenhuma das duas. De na verdade não ser ninguém. Nem a personagem na mente de um autor eu acho mais que sou - aquela que varias vezes fantasiou ser Hilde de um Josteein Gaarner da vida.

Talvez eu não ache de verdade que não sou ninguém. Eu devo ser um alguém. In fact, quase todo mundo o é. Só acho que o alguém que eu sou ta meio perdido por ai, vagando e fugindo de mim... Sombra do Peter Pan sem alguém que a costure de volta.

E eu voando de janela em janela, de livro em livro, tentanto encontrar um encaixe perfeito que faça sombra em mim.

Chega de devaneios por hoje.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

De um dia cansado





Cansaço

Do que se cansas,
Se não fazes nada fora do comum?
Talvez te canse exatamente isso
Talvez justo o fato rotineiro te canse

Cansa-te o contínuo passar do tempo?
Como se todos os dias fossem um só?
E, por isso, parece-te que a cada dia que passa,
Mais longe está o dia do retorno?

Concordo com você, dia cansado.
E sei o teu mal:
- O que te cansa é a saudade.

(escrito em 2011)